Tom Kennedy
No meio dos preparativos para a viagem, consegui achar tempo de fazer mais um stencil, em aço doce, do meu amigo Tom Kennedy, para um leilão da fundação em memória dele.
Tom Kennedy morreu no começo deste ano, afogado em Ocean Beach. No dia em que ele se afogou, eu estava surfando a uns dois quilômetros de distância. Tom era um cara especial, construtor de Art Cars memoráveis, como a Baleia, ou o caminhão com um míssil que ele levou para protestar na convenção do Partido Republicano em New York, onde ele foi preso mas também onde ele encontrou a sua futura esposa. Um ser humano dos melhores que eu já encontrei, ele faz muita falta.
Mais sobre o trabalho do Tom aqui:
http://laughingsquid.com/goodbye-to-tom-kennedy-art-car-artist-activist-teacher-prankster/
Vou sumir por uns tempos
Ao longo dos anos muitas pessoas me disseram para ir a certos lugares fazer determinadas coisas.
Tanto disseram que eu resolvi ir.
Pois é, decidir largar tudo e me mudar para Trancoso. Quer dizer, mais ou menos. Tirei uma licença do trabalho e a partir de 11/27 e até Junho de 2010 estarei em um barco no Pacífico Equatorial. Irei de avião para as Filipinas onde encontrarei o resto da tripulação e de lá vamos para Palau, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Vanuatu, Kiribati, Ihas Marshall e Micronésia. Esta região é bastante remota e nós estamos indo para algumas ilhas e atóis que podem passar até dois anos sem receber visitantes. Em alguns lugares por onde vamos passar, o canibalismo ainda estava sendo praticado até os anos 60 e em outros existem áreas que ainda nem foram mapeadas. Ou seja, só vou ter acesso à Internet ou a telefones, eletricidade, água corrente, etc., muito de vez em quando, em Palau, Vanuatu, uma ou duas vilas na Nova guiné e na capital das Ilhas Salomão, Honiara. Por isso se eu não responder às mensagens, é porque eu estou pescando, surfando, mergulhando, tentando não afundar o barco num recife e esperando não virar o jantar de alguém.
A Jenn, aquela santa mulher, não só aceitou que eu me escafeda por seis meses, como vai me encontrar em Vanuatu e passar duas semanas lá, ela que não é muito fã de longas viagens de barco.
Mas assim que eu puder eu entro em contato. Se vocês tiverem curiosidade de saber onde eu estou, eu vou continuar atualizando o blog quando puder.
Então, Feliz Natal, Feliz Ano Novo, Bom Carnaval,Feliz Páscoa, Tiradentes, Corpus Christi, etc. e nos vemos no ano que vem.
Aquel abraço
Projetos
A casquinha de noz abaixo vai (espera-se) atravessar os 58 km entre Molokai e O’ahu, no Hawai’i em um futuro próximo a ser definido. Para os maldosos que irrevogavelmente dirão que esse troço é um instrumento de compensação da meia-idade, vou logo admitindo que, realmente, como meus cabelos são curtos, eu exagerei no comprimento da embarcação.
As coisas tem andado meio devagar nos últimos meses, mas aos poucos um monte de projetos que estavam meio empacados nos últimos dois anos estão sendo completados. O barquinho acima, por exemplo. Também acabei de ler O Grande Sertão Veredas, que eu comecei a ler em 1987, quando o Sarney (sempre ele) ainda era presidente e eu morava no Brasil. Comecei a ler, li até à metade, larguei, esqueci a história, comecei pelo começo de novo e acabei na semana passada. Considerando que só levei cinco anos para ler Finnegan’s Wake em Inglês, acho que é o James Joyce que é o Guimarães Rosa Irlandês, não o contrário.
E mais projetos estão para ser concluídos. Faz um bem danado acabar o que se começou.
Nos próximos meses este blog vai dar uma guinada, de San Francisco para o Pacífico Equatorial. Você não pode deixar de perder. Acho.
Indigenous Program
No começo tá todo mundo contente.

Daí começa a pedreira (literalmente)

Uma sonequinha a 3,000m de altura para se aclimatar.

Fui subindo esse negócio vomitando e, digamos, deixando suvenires pelo caminho. Não vou mentir, a diarréia ganhou a parada a cerca de 4200 m de altura, cerca de 100 m abaixo do topo.
Três Segredos de uma Vista

Há uns meses um CD que eu ouvia o tempo todo era o Birthday Concert do Jaco Pastorius. É o típico disco que só músico ouve, não é muito acessível, mas toda vez que você ouve, descobre um filigrana novo. Daí um dia eu sentei com a guitarra, passei um fim de semana inteiro trancado no estúdio e gravei um arranjo que eu fiz para Three Views of a Secret, que tem uma versão sensacional no disco, com naipes de metais e o escambau.
Sexta passada, saindo de um bar na Vila Madalena, pego um táxi e o motorista põe um CD para tocar e não é que é o Birthday Concert? E eu achava que era o único cara que ainda escutava essas coisas. O taxista é baixista semi-profissional, toca samba-jazz, engatamos uma conversa até chegar em casa. Peguei o email dele e mandei a versão que eu gravei aqui. Esse na verdade é o primeiro take, cheio de erros, mas o primeiro take sempre tem mais espontaneidade, quanto mais versões você grava mais você se preocupa em não errar e menos com o som. Então vamos de primeira com as imperfeições mesmo, mais ou menos como a vida, e com essa filosofia de botequim encerramos por hoje.
É tudo marolinha
14 pés de Oeste-Noroeste a 25 segundos. O que quer dizer isso? Quer dizer que eu estacionei o meu carro no estacionamento da Sloat Ave. com Great Highway em Ocean Beach e me deparei com isto:

Daí eu avistei um cidadão lá no fundão, a um meio quilômetro de distância:

Só então me lembrei de que não podia ir surfar naquele dia porque eu tinha esquecido de escovar os dentes. Daí eu fiquei tirando foto na areia.
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