Café, Hidrogênio e Contracultura


Pois é. O projeto em que estou trabalhando acabou saindo na Business 2.0. Vai lá na página 68 onde está o nosso caminhão, o Café Racer. Precisa de Flash para ver. Diacho.
Por um lado é legal ter o reconhecimento do “mundo default”; por outro lado eu fico muito desconfiado quando uma revista corporativa começa a prestar atenção. Eu moro em San Francisco exatamente porque é uma das poucas cidades no mundo onde a contracultura vai muito bem, obrigado. E o nosso projeto é a contracultura da energia.

Hoje em dia nos Estados Unidos, a moda é falar de combustíveis alternativos. De repente o Brasil e a cana de açúcar estão nas páginas das revistas e jornais. E o que nós fizemos? Nós construímos um caminhão movido a café! Isso mesmo, você põe café e um gasificador que nós construímos inteiramente com sucata transforma o café em hidrogênio que é bombeado diretamente para a entrada de ar de um motor a diesel comum. Tecnologia dos Flintstones no século 21.
Simplesmente trata-se da tecnologia do gasogênio que foi muito usada pelos Alemães na Segunda Guerra Mundial. Depois nós descobrimos que não existe recorde mundial de velocidade para veículos movidos a gasogênio. Ora, então vamos fazer o nosso! Vamos levar o caminhão para a Bonneville Speedway, em Utah e bater o recorde mundial fazendo o Café Racer ir a 1 milha por hora. Tudo em nome da comédia, pois o Café Racer chega a fazer 80 km por hora. Não sei se faz diferença usar Café Pelé ou Do Ponto.

gasifier12.jpgÓi eu aí soldando o ciclone do gasificador. Operário padrão é a mãe.

Na verdade, o Café Racer é só um protótipo de um outro projeto que estamos desenvolvendo para o Burning Man, o famoso festival de artes e contracultura (aliás nem tão contracultura assim mais, mas isso é outra história) no deserto de Black Rock em Nevada. Chama-se Mechabolic e a melhor descrição que eu posso oferecer é que é um lesmão de cerca de 30 metros de comprimento que vai se mover pelo deserto totalmente movido a gasificadores e biodigestores que vão usar o lixo produzido no festival. Eu sabia que aquele diploma de engenheiro químico ia servir para alguma coisa um dia… Na verdade o meu interesse no projeto é desenvolver tecnologias que possam ser usadas para produzir energia em áreas rurais no Brasil. Por exemplo, há tanto bagaço de cana que poderia ser usado para produzir hidrogênio como combustivel de geradores para eletrificação de áreas rurais. Nos próximos meses, estarei mostrando o progresso do projeto aqui. Quem viver, verá.

gasifier2.jpgO protótipo do protótipo. A chama está queimando hidrogênio. O problema é o cheiro…

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3 comments so far

  1. Livia on

    Kiko! Amei a história do Café Racer. Qdo o negócio ficar sério, ou seja, eficácia comprovada, vamos falar pra eu dar uma notinha na revista Brasil Sustentável.
    Minha família tem pé de café… Já pensou se a moda pega?
    beijos,
    Lívia

  2. Livia on

    O q eu quis dizer com eficácia comprovada é bater o récorde, ok?!
    Guinnes book nele!

  3. Dr. Fiasco on

    Beleza Lívia, vamos bater um papo daqui a uns meses.


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