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Os Mosaicos da Jenn – O Retorno

Neste sábado foi a inauguração dos mosaicos da minha amiga Jenn. Ficaram muito bons. Eu ajudei na montagem, deu um trabalhão.

Agora eles ficam a três quadras da minha casa, passo por eles quando vou comprar frutas no mercadinho salvadorenho e fico satisfeito de ter podido ajudar, de ter colaborado com um projeto feito totalmente por idealismo.


Há dois anos eu dei aulas complementares de matemática como voluntário para crianças imigrantes, quase todas da América Central, com dificuldades com o Inglês na escola. Tive a mesma sensação de satisfação.

Talvez essa seja a resposta. Parar de olhar para o meu umbigo e fazer algo desinteressado por alguém. Talvez seja hora de voltar a ensinar.


Eu e a minha amiga Jenn.

EPO, Te Quiero

Não sei se alguém aí dá bola para o Tour de France, mas em todo caso…
É bem engraçado, em Francês. Grâce à toi je serai numero uno…

Bukowski de botequim

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I wish things would tell me secrets
but they are just the debris of stale desire
I wish I could go to Hell on a package tour
I wish there was plenty more fish in the ocean
I wish there was a God of Love and Vengeance
I wish there was sex, drugs and rock’n’roll
but rock’n’roll is the disowned son of the Blues
and the sex and the drugs stopped working long ago
I wish my poker face was believable
I wish the early bird did catch the worm
I wish there was Karma
I wish Kant and Sartre were right, at the same time
I wish there was an atoll in the South Pacific
I wish Les Chants de Maldoror would whisper me
something I don’t know yet
I wish Jesus or Buddha had it all figured out
I wish there was a sadness to all happy endings
I wish there was a purpose and a meaning
I wish I had in me the blessing of superstition
I wish there was peace to be had at the bottom of the glass
or in the barrel of a gun
I wish Cortázar had no idea what he was talking about
I wish there were lessons to be learned
I wish I could invite all those demons for an orgy

But I don’t believe any of these things
I wish I believed.

foto: Buddha Lounge, Chinatown, San Francisco, 2004

Retrato do Artista Quando Metalúrgico

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Uma das coisas que têm mantido a minha sanidade ultimamente é trabalhar com metal. Isso e surfar. São as duas coisas que me fazem levantar da cama.

Tenho trabalhado com metal há três anos, fiz cursos de torneiro e soldador e estou começando a trabalhar em algumas peças. Estou fazendo stencils de metal e mais para a frente quero fazer algumas esculturas maiores com chapa de aço e tubos. Um amigo tirou esta foto enquanto eu cortava algumas chapas de metal num ferro-velho em San Francisco. Quem sabe um dia se o meu emprego em pesquisa de câncer não der certo (atualmente não está), eu visto o macacão de vez e vou para a frente do torno.

Dia de chuva

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Do meu amigo Marcos: só quem sentiu muita dor é realmente capaz de compaixão.

Foto: Apeninos, Toscana, Inverno de 2003.

Boogie Angst

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Ontem à noite fui com a minha amiga Leslie ver Eric McFadden, ex-guitarrista do Parliament. O cara manda bem, totalmente Hendrix, mas com um violão acústico, passando por um wah-wah, distorção e sei mais o que. Soa como uma guitarra elétrica vinda de Marte. E o cara é um virtuoso com uma voz grave, uma mistura de Steve Vai com Tom Waits. E como todo virtuoso, às vezes exagera naqueles solos intermináveis, mas na média foi bem, nota 7.5.
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E hoje à noite, a dupla holandesa Kraak & Smaak, que mistura jazz com eletrônica fazendo um set de DJ no North Beach Jazz Festival. Vou lá ver se tiro umas fotos. E amanhã tem mais. Haja vitamina.

A noite em que nós salvamos o Circo.

Por volta das três da manhã:

– Cara, nós temos um problema.

– Qual deles? Há vários.

– Tem um circo na nossa sala.


Eu sorri. E não é que tinha um circo na sala mesmo? Eu estava operando a mesa de som depois da enésima cerveja, tentando não avacalhar (muito) o som da banda. Aliás, que banda. Uma belíssima seção de metais (com uma belíssima cantora, diga-se de passagem) tocando uma mistura de Klezmer com canções de cabaré à la Kurt Weil. Por uma noite, Mahagony foi aqui.


O Circus Contraption, de Seattle, está fazendo um tour pela Costa Oeste junto com o Cyclecide Bike Rodeo (mais a respeito deles em um futuro próximo). Eles tinham um show no CELLSpace marcado para a sexta, mas o CELLSpace, em toda a sua sabedoria de um coletivo de líderes sem liderança, marcou dois shows para a mesma noite. O circo corria perigo.


Não tema, com Chicken John não há problema. Porque não fazer aqui no Chez Poulet, o Galpão onde os Sonhos se Tornam Realidade?

E assim foi feito. Uma noite memorável e uma ressaca idem no dia seguinte.

o Valet Parking do Chez Poulet deixa um pouco a desejar…

Essa foto aí embaixo não é minha, é da Lane Hartwell. Mas eu botei aqui porque, bem porque… precisa explicar?

Definições

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Minimal techno = ainda não aprendi a mexer direito nos botõeozinhos do Reason e do Reaktor, por enquanto só sei fazer aquela batidinha tu-tu-tu…

Psy Trance = pô, quando eu tava viajandão soava tão melhor…

D&B = aquele CD do Amen Break que o Mobral me emprestou era a única coisa que eu tinha…

Electro = O TR808, a cocaína, o Ronald Reagan e o Duran Duran estão na moda de novo. Viva os anos 80!

Breaks = Neguinho estava tendo um ataque epiléptico quando mixou aquilo.

Downtempo = aê, põe um lance mais devagarinho aí prá nóis chegar nas mina, aê…

IDM = Que nem Alan Parsons, só que feito por gente que é menos nerd e ja até beijou uma menina na vida.

Progressive = Eu sou DJ Tiesto, uma forma de vida mais avançada que você. Venho do Planeta Ibiza. Também comi muito mais mulheres que você. E você tem mau hálito.

foto: Sol System Party em San Francisco, por volta de 2002

Jon Alloway

Jon Alloway é uma das maiores figuraças que eu conheço. Baseado em Hollywood ele há trinta anos fotografa as subculturas esquecidas e submersas da Califórnia. Um cara engraçadíssimo, frequentemente inconveniente, mas um excelente parceiro para virar a noite tomando umas e outras e ouvindo as histórias das coisas bizarras que ele já viu e fez na vida. História não falta.

Achei umas fotos que ele tirou no Robodock, o festival de arte industrial e eletrônica que acontece todo ano em Amsterdam. Vários artistas de San Francisco foram expor lá e o Jon tirou umas fotos muito boas.

Desert Sessions

O lugar onde eu durmo e recebo as contas fica em San Francisco.


Mas a minha casa fica no deserto. Ja é assim há muito tempo. Já visitei vários, eu coleciono desertos como um negociante Berbere coleciona pérolas.

Os nomes rolam fácil da língua: Sonora, Mojave, Death Valley, Escalante, Grande Deserto de Areia da Austrália. Ainda faltam o Atacama, Kalahari, Kara Kum e Gobi, daí posso morrer feliz.

Mas o meu preferido ainda é o deserto de Black Rock em Nevada. 3.500 km quadrados de desolação e silêncio. Nem insetos você lá de tão morto que o lugar é. A maior parte do deserto é um leito seco de um lago pre-histórico, de 80 km de comprimento e até 50 km de largura. Completamente plano e cercado de montanhas de até 1500 m de altura a uma altitude de 2000 m. Na parte mais acessível do deserto recordes mundiais de velocidade terrestre foram quebrados. Já a parte mais distante é um dos lugares mais remotos e menos frequentados da América do Norte. O meu amigo Dennis descreveu a sua experiência nos confins do Black Rock Desert assim:

“Eu voltaria lá. Quer dizer, voltaria lá com dois jipes 4×4, guincho, ferramentas para consertar o que quebrar, água e comida para duas semanas, rádio, GPS, foguetes de sinalização, correntes, tábuas de madeira para o atolamento que vai acontecer com certeza e 2 estepes por carro. Ah, e uma arma apontada para a minha cabeça.”

Não é brincadeira. Todo ano morre alguém nesse deserto, você vai muito fundo no deserto, o seu carro quebra ou atola na areia, você não trouxe água suficiente, caminhar 50 km não é uma opção a uma temperatura de 45 graus à sombra, já viu… Eu mesmo já passei um perrengue desses ano passado com o meu amigo Bryan aka Fko.

Mas é um dos lugares mais lindos que eu conheço. Você sobe a Sierra Nevada até 3000 metros de altura, cruza o Donner Pass e desce até a Grande Bacia de Nevada, Daí vira para o Norte e entra na reserva dos índios Paiutes, em direção ao Oregon. Na entrada da reserva eu já começo a sentir a eletricidade, a antecipação do deserto. Duas horas depois chegamos ao povoado de Gerlach, na beira do deserto. Mais meia hora no asfalto e chegamos ao 12 Mile, o melhor ponto de acesso ao deserto. Dessa vez é noite escura, 3 da manhã sem lua. Abrimos a tradicional cerveja comemorativa e entramos no deserto. De agora em diante não há mais estrada. É na base do olhômetro mesmo.

É claro que em dois minutos nós nos perdemos. Uma olhada na bússola mostra que nós estamos indo na direção oposta. Passamos a navegar com a bússola e o odômetro, com o GPS servindo de segunda opinião. Guiar no deserto é como navegar no mar, não há pontos de referência. E uma das coisas mais difíceis é achar os pontos de acesso. Eles ficam em meio a dunas e levou vários anos até eu memorizar onde eles ficam, usando os picos das montanhas como referência.

O deserto exige auto-suficiência mas em troca te dá liberdade. Dá para fazer coisas que não dá para fazer na cidade, como por exemplo, juntar um cabo de aço com arame com palha de aço, acender e fazer isso aqui:

Em 5 semanas retorno ao deserto como parte da equipe que está construindo o Mechabolic, desta vez por 10 dias para o Burning Man. A minha catarse anual, mistério Dionisíaco . Não vejo a hora.