Segunda Sem Lei


Fim de semana ocupado. Na Sexta-Feira, Zero Boy, diretamente de New York veio fazer um show aqui em casa com a sua comédia sonora, com Dr. Hal como mestre de cerimônias. Ele pega uma história do público e vai contando, fazendo efeitos sonoros com a boca. Dessa vez eu não tive que trabalhar, fiquei tomando a minha cervejinha com os amigos no sofá assistindo ao show. E tirando fotos fora de foco que eu estava com uma preguiiiiiça de ir pegar a lente f/1.8…

Domingo de manhã cedinho, hora de ir nadar na Baía de San Francisco. Voltei a treinar pesado para a travessia de Alcatraz em Setembro. 4000m na piscina de Segunda a Sexta, mais corrida e pesos. Este ano eu bato a minha marca de 40 minutos ou me afogo tentando. Ou vai ou racha.

E no Domingo à noite, o grande debate, Chicken vs. Wolf.
Venho de uma família super politizada e trabalhei em campanhas políticas no Brasil desde os nove anos, em algumas campanhas de que me orgulho, outras de que me arrependo. Assim é a vida. Mas nunca tinha visto um debate com trilha sonora, do KROB ainda por cima.

San Francisco tem uma tradição de outsiders que conseguem ser surpreendentemente eficazes como ativistas políticos. O Chicken e o Josh são assim. É uma maneira diferente de fazer política, mais artesanal, com pouco ou nenhum dinheiro, baseada no fazer mais com menos, no espetáculo como discurso político e numa brutal franqueza. Funciona, se não para ganhar eleições, ao menos para orientar o debate em direções que os políticos tradicionais não conseguem entender ou com que simplesmente não se importam.

Saca a gravata do Chicken…

San Francisco sempre viveu o dilema entre prosperidade e inovação. A inovação, gerada pelo underground de artistas, engenheiros de software, cientistas malucos e os proverbiais dois caras trabalhando noite a dentro numa garagem, praticamente construiu a Internet; é só ver quantos gigantes estão baseados aqui. Ao mesmo tempo, a prosperidade infla os preços e faz com que os mesmos inovadores não consigam viver nesta cidade devido ao alto custo de vida. E isso sempre criou tensão, especialmente nos anos loucos do boom das dot coms no fim dos anos 90, quando eu me mudei para cá.

Quais são as questões importantes nesta cidade? Inclusão digital através de uma rede sem fio aberta a todos os habitantes da cidade, de graça, que está sendo projetada pela Google e sendo violentamente combatida pelo monopólio das grandes empresas telefônicas. Estímulo aos pequenos negócios que são o que realmente move a economia local. E redução da criminalidade. San Francisco teve 54 assasinatos até agora neste ano (isso é o que? Um fim de semana no Jardim Ângela?).

Outra coisa legal foi ver que, quando eles não têm uma resposta para uma pergunta, tanto o Chicken quanto o Josh não têm medo de simplesmente dizer “Não sei”, sem enrolar o público. Se pudesse ser assim no Brasil…

E no meio disso tudo ainda arrumei um tempinho para ir surfar.

E assim vai a vida, aproveitando as pequenas alegrias do dia-a-dia, que é o que eu posso fazer.

Bom começo de semana.

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7 comments so far

  1. ronas on

    Você tem certeza que não é o Multihomem [dos Impossíveis] sem peruca?

    Você descobre a cura do câncer, é dj/vj, atravesa desertos, cruza mares, solda, pinta e borda, cola ladrilhinhos e ainda por cima abraça políticos???

    Meu herói!!

    Pronto, passou. É que a coisa não tá bolinho.

  2. Dr. Fiasco on

    Bom, quando você faz tudo meia-boca, dá para fazer um monte de coisa…
    VJ/DJ não sou não, se bem que volta e meia eu finjo que sou e ponho uns discos na vitrola pro povo dançar. E agora acrescentei o título de papagaio de pirata e puxa-saco de polítco à minha lista de, digamos, “competências”.

    E aí, recebeu o pacote que eu te mandei aí?

  3. Marri on

    Meia-boca nada, está querendo confete?

    A gravata do Chicken é de doer, mas o bigode é um pouco pior…

    Aproveitar as pequenas alegrias do dia-a-dia faz parte daquele programa de exercícios que inclui deixar de olhar para o próprio umbigo. Nossa! Para um exemplar do sexo masculino você está se saindo super bem na aquisição de sabedoria propiciada pela maturidade. Parabéns!

    Meu final de semana também foi interessante. Para quem não acredita em coincidências…vivenciei algumas. A mais improvável foi encontrar o Alexandre Schneider tomando café na esquina de casa. Quase não o reconheci, uns bons quilos a mais e a cabeleira grisalha.

    Boa semana pra você também.

  4. Dr. Fiasco on

    O pior é que aquele bigode é postiço…

    Nossa, o Schneider! Agora começou a sessão fundo do baú. Só falta você achar o Lemmi um dia desses, mas aí já seria pedir demais…

    Agora, Marri, maturidade é o cacete… com todo o respeito, é claro.

  5. Marri on

    O Lemmi eu encontrei numa festinha de criança na época que ele tinha só uma filha. Agora ele deve ter uns 3 ou 4. O sobrenome dele mudou para Coelho, inclusive.

    Eu digo maturidade na maior tranquilidade porque sou pelo menos 1 ano e meio mais nova que toda nossa turma! Estou mais longe dos 40 que vcs todos e completamente em paz com todos os anos que já se passaram da minha vida. Agora com todo respeito, entre os nossos amigos, aqueles que têm cabelo, estão grisalhos. Isso é sinal de quê mesmo?

  6. Dr. Fiasco on

    Falta de Grecin 2000?

  7. Tuca on

    De finasterida.


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