We’re going to Burning Man!


Sexta que vem dou no pé e vou passar dez dias no deserto em Nevada no Burning Man , a maior exposição de arte e outras maluquices ao ar livre do mundo. Uma cidade de 50.000 pessoas simplesmente aparece no deserto do nada por dez dias e depois desaparece como se nunca tivesse existido. Não é um festival comum pois, fora o traçado das ruas, não há nenhuma infraestrutura, você é responsável por trazer tudo o que você precisa para viver no deserto, água, comida, sombra, primeiros socorros, geradores (se você gosta de uma luzinha à noite ou de uma musiquinha), etc. Se bem que todo ano tem alguma ostra que aparece com um saco de dormir a tiracolo…

O Burning Man inicialmente acontecia em Baker Beach, em San Francisco, mas o evento ficou grande demais para a praia. Até que o meu amigo Kevin Evans teve a idéia de mudá-lo para o deserto em Nevada, onde ele tinha acampado algumas vezes numa das Temporary Autonomous Zones da Cacophony Society organizadas por John Law, um dos ícones da contracultura de San Francisco.

No começo, o Burning Man era completamente anárquico, Mad Max no deserto. Tinha gente que trazia catapultas gigantescas capazes de arremessar um Fusca. E em 1996 houve o épico da HELCO Tower, em que o Diabo comprava o Burning Man. Foi uma ópera que se extendeu por uma semana até o gran finale, com os robôs infernais dos Seemen e John Law pulando de um prédio em chamas. Ele é o cara vestido de cowboy neste vídeo sensacional da última noite da encenação. O diabo é o famoso e terrível Flash Hopkins, um cara, digamos, um pouco fora de contato com a realidade.

Em 1996 foi também quando morreu a primeira pessoa, numa corrida de motocicleta. À noite. Com os faróis desligados. Depois disso as coisas ficaram muito mais civilizadas e organizadas. Mas você ainda vê performances e instalações ou grandes demais ou perigosas demais ou os dois que não dá para fazer numa cidade. Tem que ser no deserto.

Como por exemplo, a estrutura Message from the Future, feita pelos Uchronians, um grupo da Bélgica, no ano passado. O nome não pegou e todo mundo chamava aquele troço de Belgian Waffle. A estrutura tinha uns 100m de comprimento por uns 15 de altura. Durante a semana inteira, DJ’s vinham tocar dentro da estrututra para 2, 3mil pessoas. Talvez a melhor rave de todos os tempos tenha acontecido lá uma noite, com os Space Cowboys, um coletivo de DJ’s de San Francisco, tocando fogo nas vitrolinhas. Bons tempos… No fim da semana eles tocaram fogo na coisa toda. Talvez tenha sido a maior fogueira de todos os tempos. Com certeza foi a maior estrutura já erguida no Burning Man. Eu estava no perímetro, a 200m de distância, e o calor era quase insuportável. Parece pequeno na foto, mas não é.

Ou a Serpent Mother, uma escultura animatrônica das Flaming Lotus Girls de San Francisco, um grupo de 100 mulheres artistas que três anos atrás mal sabiam empunhar uma furadeira. Meteram a cara, aprenderam a trabalhar com metal, eletrônica e pirotecnia e fizeram uma das coisas mais impressionantes que eu já vi na vida.

E esse ano tem mais. O Mechabolic por exemplo, mas há vários outros projetos de larga escala, coisas muito interessantes sendo perpetradas em vário armazéns aqui na Bay Area. Quem viver, verá.

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4 comments so far

  1. ana pands on

    cara.. bem loca essas fita aí.

  2. Be' on

    Fala ai Chicao.
    Legal o Senhor Spock. Chega ai, talvez tenha um jeito de voce fazer uns efeitos especiais no aco. Se voce conseguir temperar o aco, acho que daria para dar um efeito de cores, meio “iridecent”.

    No thanksgiving a gente vai ai. Tomara que role um surf.

    Um beijo

    Be’

  3. Dr. Fiasco on

    Ana, como dizia o Amaral do Corinthians, eu desconcordo de você. Para mim, bem loco é passar a vida no circuito trabalho-casa-churasco no fim de semana-cineminha-shopping-férias. Isso sim para mim é de uma insanidade completa. Eu tento viver a minha vida como um eterno Sábado. Nem sempre dá, rolam umas Segundas-Feiras de vez em quando. Mas eu tento.

  4. Dr. Fiasco on

    Fala Gordo,

    Em vez de “iridecent” eu prefiro “irindecent”. Eu vou usar enamel e o grinder com tocha de acetileno em alguns stencils para ficar mais bunitim.
    Outros eu vou deixar enferrujar mesmo que enferrujado também é bacaninha.


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