What Would Jesus Buy?


Aproveitando o meu tempo livre, estou trabalhando como voluntário na DocFest , o festival de documentários organizado pelo mesmo pessoal que organiza o San Francisco Indie Fest, talvez o melhor festival de cinema independente deste lado do Sundance. O SF Indie é organizado com orçamento mínimo e usando pequenos cinemas independentes e alguns de cadeias mais focadas em filmes de arte como a Cinemark. Todo mundo trabalha de graça e é um evento completamente feito pela e para comunidade. E duas das melhores festas do ano são a abertura e o fechamento do SF Indie. O pessoal sabe misturar trabalho com prazer na medida certa. Alguns amigos meus são parte do comitê executivo do festival e descobri numa conversa como o organizador, o Jeff Ross, a versão San Francisco do Leon Cakoff, que nós temos vários amigos em comum.

O SF Indie é uma excelente oportunidade para fazer contatos com produtores, editores, câmeras, atores. Estou ajudando o meu amigo Dean Mermell no próximo curta dele, que começaremos a filmar daqui a duas semanas e sempre é bom conhecer alguém que pode vir a trabalhar no seu projeto no futuro.

E quem trabalha, entra no filme de graça, o que é muito bom, visto que eu não tenho fonte de renda no momento. Vi seis documentários nos últimos três dias, variando de excelentes a razoavelmente interessantes, mas dois deles se destacam:

Um é What Would Jesus Buy?, produzido por Morgan Spurlock, o diretor e ator principal de Supersize Me, que acho que passou no Brazil. É um documentário sobre o Reverend Billy, o pastor da Church of Stop Shopping. Reverend Billy pegou emprestados os maneirismos dos televangelistas Americanos como o “saudoso” Jimmy Swaggart e virou a coisa do avesso, criando uma paródia de culto religioso com um grupo de voluntários que de uma maneira bem humorada faz uma crítica ácida do consumismo desenfreado Americano. O filme é um documentário sobre a Turnê de Natal do grupo. Vale a pena ver se passar no Brasil. Aliás, o Reverendo está ficando aqui no galpão durante o festival como hóspede do Chicken. Batendo um papo com ele ontem à noite, eu disse que esse lance de anticonsumismo é coisa de país rico que pode se dar ao luxo de ter crises existenciais. Mais ou menos o que o Joãosinho Trinta disse, que quem gosta de pobreza é intelectual. No Brasil, eu disse, quanto mais pobres as pessoas, mais elas querem o carro, o tênis de marca, o videogame. Dá para culpá-las?

O Reverendo sorriu. Mas não respondeu…

Outro filme muito bom é Off the Grid: Life on the Mesa , sobre uma comunidade que vive completamente à margem da sociedade no topo de um altiplano no Novo México. Sem água encanada, telefone ou eletricidade, a comunidade se auto-policia e atrai aquele elemento da fronteira, da margem. Desde de veteranos de guerra sem condições psicológicas de viver na sociedade moderna a pessoas que simplesmente gostam da vida no deserto. Isso ressona comigo. Vale a pena ver, esse eu acho difícil ser distribuído no Brasil, mas em todo caso, fica a dica.

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