Eu e o Mar


O ano de 2007 vai ser lembrado, entre outras coisas, como o ano em que eu redescobri a minha paixão pelo oceano.
Voltei a megulhar, tenho surfado com muito mais frequência e finalmente consegui a minha licença de capitão para barcos de até 32 pés.
Agora estou estudando navegação celestial que é o equivalente a estudar Latim no mundo da vela. Com GPS, não há mais necessidade.
Mas eu sempre quis aprender, desde pequeninho, a usar um sextante. E vai que um dia você está no meio do Oceano Pacífico e a sua
bateria morre. E aí, como faz?

Daqui a 3 semanas, vou ajudar um amigo a trazer o barco dele para San Francisco, que está vindo das Ilhas Virgens e agora se encontra na Nicarágua depois de cruzar o Canal do Panamá. Vou ser a tripulação na última perna, de San Diego a San Francisco, 10 dias no Pacífico Norte a 300 milhas náuticas da costa num catamarã Leopard de 45 pés. Todo mundo que já fez essa viagem me disse a mesma coisa: que eu vou ficar 1) Entediado e sem ter o que fazer 2) Apavorado se houver uma tempestade vinda do Golfo do Alaska, comum nessa época do ano e 3) Com muito frio e muito molhado. Parece um senhor programa de índio. E eu me amarro num programa de índio. Vou levar o meu livro de navegação, o meu calhamaço sobre como amarrar todo e qualquer nó no universo e o meu iPod. E deu.

Neste fim de semana eu fui velejar na Baía. Pegamos ventos de até 25 nós entre Alcatraz e Angel Island. Se você nunca navegou um barco com água subindo pela proa e com metade do corpo para fora do railing e o barco querendo virar mas não virando, você ainda não viveu. Ah, e um cargueiro coreano se chocou contra um dos pilares da Bay Bridge e derramou 58.000 galões de óleo. Já morreram cerca de 400 aves marinhas e o óleo está em toda a parte. A Jenn passou o domingo inteiro ajudando a retirar o óleo em Ocean Beach. Voltou para casa parecendo uma borracheira. Mas que borracheira…

Em Julho do ano que vem, vou participar da Molokai to O’ahu paddleboard race no Hawaii. São 32 milhas náuticas (58 Km) no canal de Molokai, famoso pelas suas correntes e ondulações. Depois de ter cruzado o Canal de Maui a nado (18 km) em 2004, acho que dá para encarar. O paddleboard é como uma prancha de surf, mas muito maior (a minha tem cerca de 4.5m de comprimento) e tem um casco ao contrário de uma prancha comum, que tem o fundo mais ou menos plano para deslizar sobre a água. O paddleboard corta a água. E é possível surfar ondas no mar aberto com ele. O problema é que eu não tenho um paddleboard. Então ou eu teria que gastar cerca de $3000 dólares por um novo de fibra de vidro ou fazer um eu mesmo comprando a madeira, os planos e instruções por cerca de $600 dólares.

Adivinha qual eu escolhi? Fazer a sua própria prancha e cruzar o oceano com ela é muito mais interessante, uma coisa tipo assim um Amyr Klink dos pobres, não?

Aqui vai um vídeo sobre paddleboard. Dá para ver o pessoal surfando a ondulação e alguns de pé com o remo, no antigo estilo Polinésio.

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2 comments so far

  1. ronas on

    Cara, não sei a quantas anda sua crise intercontinental, mas a cada lida nas suas aventuras não vejo o que você pode fazer por estas bandas.

  2. Dr. Fiasco on

    Brasil, só para férias. Aliás, por muito tempo, nem para isso. Se eu tiver que me mudar daqui vou para outro país. Brasil nem pensar.


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