Archive for November, 2007|Monthly archive page

Blá Blá Blá Futebol Clube

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Acho que este blógui está a cerca de 30 segundos de se tornar descartável. O que fazer?

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Despertencendo

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Se por um lado eu moro aqui há 15 anos, aqui nunca vai ser a minha casa. Nunca aprendi a gostar de baseball ou futebol americano. Futebol para mim, é e sempre será o do Corinthians. Mas adotei o Thanksgiving numa boa. Um dia em que você convida os amigos “órfãos”, passa o dia na cozinha, assando perus, fazendo tortas, bebendo cerveja e jogando conversa fora sem o consumismo do Natal.

Ao mesmo tempo que às vezes sinto falta do Brasil, sei que não há mais como voltar. Ao longo desse ano descobri que a grande maioria das pessoas que eu chamava de amigos no Brasil são na verdade conhecidos, gente com quem você toma uma cerveja e bate um papo, mas de quem não deve esperar nada mais. Enquanto isso, os meus amigos Americanos (que os Brasileiros gostam de chamar de “frios”), esses sim estavam lá quando eu precisei, mesmo os que moram longe.

Estudei e trabalhei no Japão, na Inglaterra e no Canadá. Saí do Brasil com 22 anos. Não conhecia ninguém nesse país quando cheguei a Boston no dia 26 e Agosto de 1992. Hoje eu penso em Inglês e o Português só é usado quando encontro alguns dos poucos amigos Brasileiros aqui, falo com os meus pais e escrevo neste blog. No Brasil, só a família e alguns amigos de verdade que se contam com os dedos de uma mão.

Estou acostumado a nunca fazer parte de nada. No Brasil, vi logo que não tinha paciência para pagar a cervejinha do guarda, a gorjeta do flanelinha e fazer parte das panelas de que é necessário participar para se chegar a algum lugar profissionalmente. E muito menos lidar com a comédia do absurdo que é ser Brasileiro fazendo piadinhas. Por isso vim para cá. Com todos os defeitos, o conservadorismo, a jequice, a falta de interesse pelo resto do mundo, ao menos por aqui existe alguma meritocracia. E algum espírito de justiça, se não para os outros, ao menos internamente.

Mas às vezes cansa não ter raízes em lugar nenhum, ficar flutuando no vácuo, sem ligações profundas com lugar algum. Por causa de toda a confusão deste ano, não posso sair do país. E vou ter que passar as festas de fim de ano por aqui mesmo, a primeira vez desde 1996, quando fiz o trajeto de Sydney a Perth, na Austrália, surfando e acampando na costa Sul. Acho que vou ignorar as festas de fim de ano solenemente desta vez.

Mudanças

Depois de três anos construindo todo tipo de engenhoca, de lesmas gigantes de metal a chuveiros de fogo controlados por computador no Shipyard em Berkeley, chegou a hora de trocar de ares. No fim de semana passado, o Instituto Caboclo Pai Jaú de Tecnologia, Funilaria e Pintura, do qual eu sou fundador, presidente e único membro, mudou a sua sede para um container na Box Shop, em San Francisco. Fica a dez minutos da minha casa e o meu container fica do lado do atelier da Jenn. A Jenn está trabalhando em um novo projeto dela, o Bayview Art Patch , que vai revitalizar um espaço público com esculturas fabricadas com peças de automóveis na área mais pobre e violenta de San Francisco. E eu vou ajudar como operário padrão, na fabricação em metal. O casal que constrói coisas junto permanece junto, ou leva um ao outro à demência, um dos dois.  Veremos.

O meu primeiro projeto na Box Shop será construir o paddleboard com que eu vou cruzar os 58 km entre Molokai e O’ahu em julho do ano que vem. Depois tenho que terminar a minha série de stêncils para a minha primeira mostra individual em Fevereiro em San Francisco. E ainda tenho dez dias pela frente em alto-mar no meio disso tudo. É bom estar ocupado.

A Box Shop é também o lar das Flaming Lotus Girls, que acabaram de voltar do Robodock, um festival de arte industrial em Amsterdam. E agora estão a caminho da Austrália. E mais para frente, Coachella. Ocupadas estas meninas…

Começou

O Inverno no Norte da Califórnia é a minha estação preferida.  A neblina desaparece, o céu fica de um azul profundo, é a estação da pesca do caranguejo, (que você come com um bom vinho de Napa) e as ondulações chegam do Golfo do Alaska.  Apesar de ainda ser Outono, já está com cara de Inverno.

Aí está o dia em que Mavericks acordou do seu sono de verão.  O primeiro swell da temporada.  Mavericks fica a cerca de 20 minutos de carro da minha casa.  Que venha o Inverno.

Santo Zappa

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Músico? Frank Zappa foi sim o maior teólogo de todos os tempos. A prova?

“If you want to get together in any exclusive situation and have people love you, fine. But to hang all this desperate sociology on the idea of The Cloud-Guy who has The Big Book, who knows if you’ve been bad or good and cares about any of it, to hang it all on that, folks, is the chimpanzee part of the brain working.”

“The essence of Christianity is told us in the Garden of Eden story. The fruit that was forbidden was on the tree of knowledge. The subtext is, “All the suffering you have is because you wanted to find out what was going on. You could be in the Garden of Eden if you had just kept your fucking mouth shut and hadn’t asked any questions.” … Anybody who wants religion is welcome to it, as far as I’m concerned. I support your right to enjoy it. However, I would appreciate it if you exhibited more respect for the rights of those people who do not wish to share your dogma, rapture or necrodestination.”

Hey, we can’t really be dumb
If we’re just following God’s Orders
Hey, let’s get serious…
God knows what he’s doin’
He wrote this book here
An’ the book says:
He made us all to be just like Him,” so…
If we’re dumb…
Then God is dumb…

And if these words you do not heed
Your pocketbook just kinda might recede
When some man comes along and
claims godly need
He will clean you out right through your tweed
That’s right, remember there is a big
difference between kneeling down
and bending over…
He’s got twenty million dollars
In his Heavenly Bank Account…
All from those chumps who was
Born again.[

Surf a vela

E mais coisas náuticas. Surfando num catamarã Hobie Tiger. Com uma trilha sonora sensacional de Morcheeba.

As duas coisas que eu mais gosto de fazer, combinadas numa só. Se bem que se esses caras entrassem no lineup em Ocean Beach daquele jeito, iam apanhar com certeza.

Quanto será que custa um catamarã desses…

Eu e o Mar

O ano de 2007 vai ser lembrado, entre outras coisas, como o ano em que eu redescobri a minha paixão pelo oceano.
Voltei a megulhar, tenho surfado com muito mais frequência e finalmente consegui a minha licença de capitão para barcos de até 32 pés.
Agora estou estudando navegação celestial que é o equivalente a estudar Latim no mundo da vela. Com GPS, não há mais necessidade.
Mas eu sempre quis aprender, desde pequeninho, a usar um sextante. E vai que um dia você está no meio do Oceano Pacífico e a sua
bateria morre. E aí, como faz?

Daqui a 3 semanas, vou ajudar um amigo a trazer o barco dele para San Francisco, que está vindo das Ilhas Virgens e agora se encontra na Nicarágua depois de cruzar o Canal do Panamá. Vou ser a tripulação na última perna, de San Diego a San Francisco, 10 dias no Pacífico Norte a 300 milhas náuticas da costa num catamarã Leopard de 45 pés. Todo mundo que já fez essa viagem me disse a mesma coisa: que eu vou ficar 1) Entediado e sem ter o que fazer 2) Apavorado se houver uma tempestade vinda do Golfo do Alaska, comum nessa época do ano e 3) Com muito frio e muito molhado. Parece um senhor programa de índio. E eu me amarro num programa de índio. Vou levar o meu livro de navegação, o meu calhamaço sobre como amarrar todo e qualquer nó no universo e o meu iPod. E deu.

Neste fim de semana eu fui velejar na Baía. Pegamos ventos de até 25 nós entre Alcatraz e Angel Island. Se você nunca navegou um barco com água subindo pela proa e com metade do corpo para fora do railing e o barco querendo virar mas não virando, você ainda não viveu. Ah, e um cargueiro coreano se chocou contra um dos pilares da Bay Bridge e derramou 58.000 galões de óleo. Já morreram cerca de 400 aves marinhas e o óleo está em toda a parte. A Jenn passou o domingo inteiro ajudando a retirar o óleo em Ocean Beach. Voltou para casa parecendo uma borracheira. Mas que borracheira…

Em Julho do ano que vem, vou participar da Molokai to O’ahu paddleboard race no Hawaii. São 32 milhas náuticas (58 Km) no canal de Molokai, famoso pelas suas correntes e ondulações. Depois de ter cruzado o Canal de Maui a nado (18 km) em 2004, acho que dá para encarar. O paddleboard é como uma prancha de surf, mas muito maior (a minha tem cerca de 4.5m de comprimento) e tem um casco ao contrário de uma prancha comum, que tem o fundo mais ou menos plano para deslizar sobre a água. O paddleboard corta a água. E é possível surfar ondas no mar aberto com ele. O problema é que eu não tenho um paddleboard. Então ou eu teria que gastar cerca de $3000 dólares por um novo de fibra de vidro ou fazer um eu mesmo comprando a madeira, os planos e instruções por cerca de $600 dólares.

Adivinha qual eu escolhi? Fazer a sua própria prancha e cruzar o oceano com ela é muito mais interessante, uma coisa tipo assim um Amyr Klink dos pobres, não?

Aqui vai um vídeo sobre paddleboard. Dá para ver o pessoal surfando a ondulação e alguns de pé com o remo, no antigo estilo Polinésio.